O clima de conversação propicia a Romildo Sant'Anna ora tratar com humor sobre insetos e suas fábulas e lendas ou sobre o velho e teimoso automóvel, ora baixar a voz e confessar o prazer da contemplação de homens e natureza, ora elevá-la com calor para exprimir seu constrangimento, sua vergonha pública e sua indignação (que são sentimentos nossos) diante das guerras, das injustiças, da violência, da coisificação humana e da futilização da vida. Nesses momentos seu texto alcança uma condensação e uma intensidade tais que, mesmo prescindindo do verso, se fazem linguagem poética, isto é, tornam som e imagem um só sentido.
Antônio Manoel dos Santos Silva,
No livro Os Bárbaros Submetidos – interferências
midiáticas na prosa de ficção brasileira (2007) |